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segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Sustentabilidade é melhor solução para ... "SEU BOLSO" e QUALIDADE DE VIDA.

Como cortar gastos no condomínio

O Dia, Martha Imenes e Paloma Savedra, 03/julho

A união faz a força. Esse é o lema - e o segredo - usado por condôminos em tempos de crise. Para equilibrar as contas, síndicos e demais moradores encontraram uma estratégia derradeira: a gestão participativa. Com a ajuda de cada um, sem deixar a administração sob a responsabilidade somente do gestor, é possível reduzir em quase à metade a taxa condominial e também evitar reajustes altos da cota. A medida inclui estudos de gastos e controle de uso de água e energia e de custo com funcionários. 


Com a gestão participativa, os moradores de um edifício na Tijuca conseguiram reduzir em 40% a cota condominial: de R$ 550, baixou para R$ 330 a partir deste mês. Síndico do prédio - com apenas oito apartamentos -, o lapidário José Batista da Silva, 65 anos, e o vizinho Mauro Leitão, 39, cobriram os déficits a partir de uma força-tarefa da dupla. Analista de sistemas, Mauro decidiu ajudar o síndico e usou seus conhecimentos para estudar as contas do edifício. Ele pontuou as áreas em que seria necessário cortar gastos, como conta de água, luz, reformas e funcionário.
"Pedi  que me ajudassem no orçamento. Deu certo. Existe um síndico, mas na verdade todo mundo é colaborador", conta Batista, que  também paga a cota. "O condomínio nada mais é do que uma grande família. Os cuidados que temos em casa, temos que terno edifício", completa Mauro. 

O primeiro passo foi detalhar os gastos. "Estudei o que entra de dinheiro e o que sai. O que entra são apenas a taxa condominial e o fundo de reserva", pontua Mauro, acrescentando que a verba gasta é sempre alta, para manutenção do prédio, compra de material de limpeza, pagamento de diarista, luz, água e despesa com administradora, RAIS do condomínio e registro anual do CNPJ do prédio , entre outros. 

"As contas nunca fechavam. Como são poucos moradores, era sempre muito oneroso", ressalta. Por isso, decidiram colocar um diarista duas vezes na semana no lugar do antigo funcionário. Em seguida, veio o 'pulo do gato' nas contas: a troca do sistema de tubulação e de lâmpadas quentes por frias. Batista explica que os canos eram antigos e, por isso, havia vazamentos frequentes, causando desperdícios.

"Fizemos obra e criei sistema em que a água vai direto para a caixa superior, usando menos a bomba. Acabou o desperdício. Antes, a bomba era usada toda hora e agora não. A conta de energia caiu em mais de 50%", revela. Em um edifício em Jacarepaguá, gerido pela administradora Reinventta, a revisão de gastos levou à  queda no índice de reajuste do condomínio. Diretor da empresa e do Instituto Pró-Síndico do Rio, Carlos Sampaio ressalta que o planejamento e a boa vontade dos condôminos foi fundamental para frear os custos. 


"O reajuste seria de 27% e caiu para 6,32%. A redução deve-se, principalmente, à revisão de despesas, com renegociação com fornecedores, limite de gastos com material de limpeza e com funcionários", esclarece Carlos.

Conta de água é uma das maiores vilãs de gastos

A conta de água e esgoto é uma das grandes vilãs dos custos do condomínio, perdendo apenas para a folha de pagamento, explicam especialistas do setor de habitação. Mas é possível controlar e até reduzir as despesas com providências simples. Vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi (Sindicato da Habitação), Alexandre Corrêa ressalta que os cuidados diários dos moradores são aliados do orçamento. "Fazer vistorias periódicas no prédio, verificar vazamentos em áreas comuns e não usar a mangueira como vassoura para laçar a calçada, por exemplo, são dicas para controlar e até reduzir o valor da conta de água", explica. 

Ele informa que essa despesa, seguida deluz, gás e telefone, responde por até 30% dos gastos dos condomínios, sendo superada apenas pela folha de pagamento e encargos, que chega a 50% dos gastos. Do total arrecadado, cerca de 15% vão para contratos de manutenção, elevadores, bombas e seguros. E cerca de 10% são destinados às despesas administrativas, bancárias, fundos de reserva e pequenos reparos nos prédios. Diretor do Instituto Pró-Síndico, Carlos Sampaio aconselha os condôminos a instalar hidrômetros individuais para reduzir a conta de água. 

"Isso incentiva a economia no prédio e o controle individual do consumo", diz. Se não houver condições de instalar o equipamento, ele aconselha a fazer ações de "caça vazamento", com visitas de funcionários às unidades para trocar carrapetas ou até mesmo reparo da descarga. Instalar sistemas de reaproveitamento da água da chuva para utilização nas áreas comuns é outra medida eficaz. 

"A redução pode chegar a 20% na conta", garante. O Secovi chama atenção para a folha de pagamento e encargos, avaliando, sobretudo gastos com horas extras. "O síndico pode avaliar a contratação de outro funcionário", diz Corrêa, citando também o combate à inadimplência como medida importante. De acordo com ele, o fundo de reserva cobre a despesa com inadimplentes. Mas é preciso evitar que esses recursos tenham essa destinação.

As inscrições para participar do evento podem ser feitas por meio do link: https://goo.gl/sYJvJX. O encontro visa debater temas como importância da atuação do Conselho de Previdência Social; benefício por incapacidade e reabilitação profissional; recursos humanos no INSS; cobertura previdenciária. A meta principal é fomentar a discussão sobre a Previdência no país. É quanto segurado facultativo recolhe sobre o valor da remuneração informada. 

Manutenção preventiva evita gastos com obras de reparação nos prédios

Um ponto importante salientado pelo sindicato da habitação é a fazer a manutenção preventiva nos condomínios. "Todo prédio deve ter em sua agenda de obrigações e de manutenções preventivas que são bem mais baratas que as obras de reparação", explica Alexandre Corrêa, vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi. 

Entre os serviços estão a verificação do para-raio, bomba de água, elevadores, impermeabilização, busca por vazamentos. Tudo isso evita obras de grande porte e, consequentemente, altos custos. Outro item importante, de acordo com ele, são as autovistorias. Nelas possíveis danos estruturais, reformas sem aval de engenheiros, ou obras que comprometam a estrutura da construção são identificados. 

As autovistorias entraram em vigor após a publicação do decreto municipal 37.426/2013. Nele, os responsáveis por edificações existentes no Município do Rio de Janeiro, inclusive as edificações tombadas, preservadas e tuteladas, têm que fazer autovistoria periódica, com intervalo máximo de cinco anos, para verificar as condições de conservação, estabilidade e segurança e garantir, quando necessário, a execução das medidas reparadoras. 


'As pessoas estão desesperadas para reduzir a poluição'


O Globo, Conte Algo Que Não Sei, 04/jul

"Nasci na Alemanha, mas moro na Holanda, onde tenho um escritório de arquitetura e urbanismo. Trabalhei durante quatro anos no projeto-piloto de reciclagem de água chamado Água Carioca, que acabou de ser inaugurado no Sítio Roberto Burle Marx, em Guaratiba, e cuja pesquisa foi apoiada pelo Fundo Criativo Holandês."

Conte algo que não sei.

Há um movimento mundial que visa à limpeza dos rios, principalmente os que passam dentro das cidades. As pessoas querem poder mergulhar neles. Paris já faz isso com o Rio Sena, para a Olimpíada de 2024. Em Munique, o Isar tem águas caribenhas. Já imaginou poder mergulhar na Lagoa?

Há 267 rios no Rio, e parece que as pessoas não prestam muita atenção neles.

A maioria foi aterrada, até o Carioca ficou escondido. As pessoas não tinham um relacionamento muito direto com a água, a não ser com o mar. Quando a poluição dos rios apareceu na praia e na Baía de Guanabara, isso ficou óbvio. Há uns 200 anos, pensávamos que a natureza era perigosa, que tínhamos que nos proteger dela. Agora, ficou claro que precisamos aprender com toda a sua complexidade. As pessoas estão desesperadas para reduzir a poluição, e percebo isso principalmente nas comunidades onde os moradores estão diretamente expostos.

Seu projeto apresenta uma solução para reciclar a água. Como funciona?

A água que sai do banheiro vai para um tanque séptico, onde há um primeiro tratamento. Tudo que é sólido é diluído e vira líquido. Esse líquido, muito nutriente na perspectiva de uma planta, vai para um filtro orgânico, que trabalha com plantas e areias. A água é purificada e levada a um reservatório, que também capta a água das chuvas. Ela pode ser reutilizada para lavar banheiros, carros, regar plantas... Não é preciso uma área muito grande, e o conceito é que um grupo de casas divida o mesmo filtro, o que permite a implantação em favelas como Salgueiro e Formiga.



Sem tubulação de esgoto?

Problemas ambientais podem ser solucionados sem a construção de tubulação de esgoto. Em todo o mundo, a estação de tratamento fica fora da cidade. Mas cada casa tem que se conectar à rede de esgoto, ou não há tratamento. Propomos um novo planejamento urbano, que trabalha para descentralizar o sistema vigente. Funciona não só para a água, mas também para a energia. Painéis solares são exemplos.

Como natureza, tecnologia e arquitetura se relacionam?

Falamos muito em ecologia, termo introduzido por uma cientista alemã há 150 anos. Significa a economia de todas as relações dos organismos - plantas, animais, humanos, micróbios - com o mundo externo, aspectos sociais, técnicos, políticos e espaciais. E é com isso que a arquitetura e o urbanismo precisam lidar. A arquitetura tem um novo papel de mediar essas diferentes áreas e integrá-las. Deve ter em mente que o ser humano é uma das partes desse sistema, mas não é o centro. A tecnologia pode fazer uso do que já existe de forma a apresentar soluções.

O que mais chamou sua atenção quando veio ao Rio pela primeira vez, em 2003?

A natureza aqui é muito presente. Quando abri um mapa para ver isso, vi a cidade, mas sem as favelas. Havia milhares de pessoas morando ali, mas elas não eram representadas nos mapas. Fiquei chocada.

Mais uma forma de exclusão.

Sim, mas já mudou muito. Na Maré e em Rio das Pedras, moradores estão mapeando as ruas. Claro que tem a ver com legalização da posse, mas é essencial para integrar os moradores informais à cidade formal. Lá funciona um sistema que tem estrutura política própria. Talvez as pessoas daqui achem violento, mas se desenvolveu porque não estava conectado com a outra cidade.



Att.



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